segunda-feira, 18 de julho de 2011

Blogs and the Facebook

Ao contrário do que alguns anteciparam, o Facebook não matou os blogs. Tornou-os menos dedicados a estados de alma, menos confessionais, menos intimistas.

Mas continuam a crescer.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Catolicismo e juventude

Pedro Arroja tem feito no seu blog um bom trabalho discutindo em textos curtos algumas das implicações das nuances culturais portuguesas quando confrontadas com outras culturas europeias.

Como seria de esperar concordo com algumas das suas ideias e discordo de outras. Acho que tem qualidade o seu trabalho mesmo quando não concordo com o que diz.

Neste  texto diz que só os velhos podem ser católicos e que os jovens não podem compreender a cultura portuguesa.

Pergunto se Vasco da Gama na sua grandeza de fazedor não seria católico e se D. Sebastião na sua grandeza na loucura não seria também católico.

Ninguém responderá mas a pergunta não era retórica.

domingo, 26 de junho de 2011

Máquina de saque

Paulo Macedo  quando chefiou a máquina dos impostos procedeu a uma melhoria da cobrança para o estado nomeadamente à custa da constituição do mais nojento aparelho de violação de direitos individuais de que há memória nas últimas décadas.

Ainda recentemente o fisco apropriou-se da casa de um idoso vendeu-o em "hasta pública" e entregou as chaves ao novo proprietário que ao entrar em casa deu com o cadáver do antigo dono.

Ou seja um velho isolado e desprotegido tinha cometido o crime de morrer e o estado que tem o rosto de Paulo Macedo castigou-o vendendo-lhe a casa.

A imprensa imbecil e o povo que não adjectivo chocaram-se muito com o facto de o corpo do defunto não ter sido enterrado no dia certo e nada com o facto das finanças terem a frieza e a impunidade de vender a casa de um reformado sem nunca falar com ele (disso temos a certeza e não vale a pena às finanças mentirem, pelo simples facto de que o homem estava morto e com os mortos poucas pessoas garantem que falam).

Agora as suas vítimas não vão ser os mais frágeis devedores mas sim os doentes. Ou então o senhor mudou.

O estranho mundo de Ahmadinnejad

Num lugar estranho um presidente vê um cardeal mandar prender 25 colaboradores seus nas últimas semanas.

Tudo isto no século XXI.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

O discurso do Rei

Vi hoje, só hoje, o filme o discurso do Rei.

Saber contar esta história é dar-nos a face humana, a luta interna que acompanha a luta externa. Tornar um personagem à uma distante e próximo. Distante porque navega uma nau tão maior que a nossa e tão maior que nós e próximo porque é igualmente gelado o ar que corta e salgadas as vagas que varrem o convém desse destino.

Quando os nossos filmes retratam a classe alta, a de hoje e a de ontem, são incapazes de ver além dos clichês que uma esquerda banal e sem honra transporta às costas. Retratam bonecos vazios, apessoados ao estilo de manequins, sempre femininos nos maneirismos mesmo que sempre maus, teatrais e sem mérito para além da conta bancária que herdaram.

O que faz o rei ser Rei neste filme é ter um povo majestático. Não é no rosto do rei que se vê o imperador é no espelho dos olhos dos seus súbditos quando se levantam à sua passagem.

sábado, 18 de junho de 2011

Graçola brasileira

Sabem qual é a semelhança entre a chefia e as nuvens?

Em ambos os casos quando desaparecem fica um dia lindo . . .

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sobrinho Simões não sabe

Sobre como se pode mudar uma cultura em que licenciados em direito em vias de serem magistrados não consideram que é fraude copiar Manuel Sobrinho Simões diz "não sei".

Pois eu sei.
E não parece demasiado difícil. É só centrarmos-nos nos que decidem vergonhosa e incompetentemente mal nesta matéria e castigar. Deixar de branquear fingindo que o problema são os 10 ou 20 tipos que naquele teste decidiram cabular.
Dar forte e feio nos BRANQUEADORES.  Depois, caro Prof., depois na próxima vez, vai ver que a ameaça de chover de cima para baixo compõe as coisas.

O Prof. é um homem brilhante. Mas não chega. Eu sou um ser que se arrasta junto ao chão e para perceber como resolver o problema achei que tinha que recorrer aos génios. Cito um:

Luis Vaz de Camões:

"Fraco Rei faz fraca a forte gente"

O CEJ e uma cultura de rigor

Para se perceber porque é que é tão difícil impor uma cultura de rigor o caso do CEJ é paradigmático:

- Alguns alunos - licenciados em direito e a caminho de serem magistrados - decidiram copiar num exame escrito duma disciplina menor do curso. Sendo sem dúvida pessoas inteligentes acharam, entre outras coisas, que não havia por aí grande mal e que iam escapar com a coisa.

- A direção do CEJ confirmou a sua primeira assunção e parcialmente a segunda: assim observou-se concordância parcial entre as duas pares neste aspecto.

- O caso caiu na praça pública não porque alunos tenham copiado mas porque a direção do CEJ achou que para esse problema a melhor solução era passar todos os alunos com nota 10.

Apesar do copianço em si mesmo ser inaceitável por parte de adultos à beira de serem magistrados, muito mas muito pior foi a decisão da Direção do CEJ.

Essa decisão não foi momentânea tomada em crise pessoal (por pequena que seja essa crise).

Foi a decisão considerada melhor, tudo ponderado e a sangue frio. Essa decisão é a marca cultural inultrapassável dessa direção. Foi tomada por unanimidade após debate. E foi uma decisão de baixíssima qualidade técnica e ética.

A posição de branqueamento dessa decisão que vimos tomar o Procurador Geral da República e o Ministro da Justiça são de tão baixa qualidade como a decisão da direção do CEJ.

Do ministro pouco se espera - foi cúmplice e será da laia de Sócrates, o falso.

O PGR e a Direção do CEJ deviam ser demitidos imediatamente.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

CEJ: o TESTE

A vida decidiu aplicar ao CEJ um teste. O CEJ devia agradecer pois nem sempre a situação é tão clara.
A vida pôs grande parte dos alunos que faziam um exame escrito a copiar à descarada e perguntou à direção da instituição o que fazer.

Confesso que a pergunta não era das mais fáceis, mas reconheçamos que não era das mais difíceis.

Todos os membros da Direcção do CEJ tiveram que fazer o teste e não apenas a sua actual directora (uma juiza desembargadora):

A pergunta era de escolha múltipla:

P. Como proceder se num exame escrito do CEJ se apurar sem margem para dúvidas que um número muito relevante de examinandos copiou à descarada?

A) Chumbam-se todos os alunos, quer os que copiaram quer os outros.
B) Abre-se um processo e investigam-se os 140 alunos.
C) Passam-se todos os alunos atribuíndo-lhes como nota, a média que tiveram a todas as outras disciplinas.
D) Passam-se todos os alunos com 10 valores.
E) Anula-se o exame e repete-se num curto espaço de tempo, fazendo uma prova de estrutura semelhante, reforçando as medidas anti-copianço

Não sei se houve copianço entre os membros da direção do CEJ mas todos deram a mesma resposta:

Optaram pela resposta D.

Como infelizmente a resposta certa era a resposta E, o que fazer com a Direção do CEJ?

Dê as suas ideias.

Jetpack da Martin fica mais seguro

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os três tipos de português

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.

Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.

Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.

Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.

(Fernando Pessoa  via abrupto )

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A origem da civilização questionada

(ver a edição da National Geographic de Junho)

Göbekli Tepe, sul da Turquia. 
Um antropólogo alemão desenterra lentamente a mais antiga edificação humana conhecida. Velha de 11.000 anos.
Prévia à agricultura.

Ao contrário do pensamento "marxista" dominante que pressupõe que a economia está na base da sociedade e, portanto, na base do nascimento da civilização no crescente fértil, os factos revelados por estas descobertas são a favor de que a civilização apareceu primeiro e só depois a agricultura.

A civilização teria nascido directamente da mente humana e não das condições sociais ou da natureza (fim da idade do gelo). A civilização seria um subproduto direto das ideias.

A mais poderosa das ideias ao longo da história aparece como uma ideia fora da natureza, uma ideia sobrenatural, uma ideia de Deus. 


Estará Deus no hardware do homem desde essa data?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Terei ouvido mal?

Cavaco Silva na cerimónia dos 100 anos do IST usou o pretérito para dizer que ser Professor do Técnico era um cartão de visita de grande qualidade.

Disse ainda que as decisões baseadas na ciência (neste caso a economia) são melhores que as baseadas na ignorância.

Espero que haja quem tenha tirado apontamentos.

Os perigos do sono

Já se sabe que o sono pode ser perigoso. Todos os anos têm acidentes graves pessoas que adormecem ao volante. Eu conheci o caso de um rapaz que teve vários acidentes porque adormecia a conduzir a sua mota!! Isto prova que abrir a janela pode não ser suficiente e dormir é o melhor remédio para tratar o sono.

Sabendo disso um jovem de 23 anos, após ter reunido milhares de euros de valores num escritório de advogados que assaltara, decidiu dormir no ponto. Para azar seu um advogado deu com ele já passava do meio dia roncando alegremente. 

Não se sabe se o jovem aproveitou para contratar causídico no referido escritório ou se vai preferir contratar fora.

domingo, 22 de maio de 2011

Mapa cultural do mundo 2005-2008


O mapa do post anterior é do mesmo autor (obra diferente).
Infelizmente neste Portugal não foi incluído. 
Ao contrário, o mundo islâmico foi introduzido.
Reparem no aumento da cultura tradicional nos USA e da cultura pós-industrial no Brasil.

Mapa cultural do mundo 1999-2004



A WVS tem no seu site este mapa cultural do mundo, organizado segundo duas variáveis que, 2º a WVS, são responsáveis por 70% da variação cultural entre sociedades.

Tradição vs. Valores Seculares e Valores  materialistas típicos das sociedades industriais vs. valores pós-industriais.

O Pêndulo

As sociedades, principalmente as mais impreparadas, funcionam muitas vezes de forma pendular.

Passa-se de um extremo ao outro de forma inesperada e rápida.

Recordo-me na minha adolescência de ouvir o meu Pai que apoiara Norton de Matos e Humberto Delgado no tempo da ditadura e que durante o PREC se insurgiu contra os abusos da revolução descrever com clareza a situação de quem mantinha alguma continuidade de pensamento.

Explicava ele: eu mantenho-me no mesmo sítio, eis se não quando ouço um estremecer e vem a multidão que passa por mim em direcção à direita e lá chegados apontam-me o dedo gritando "comunista, comunista". De repente dá-se uma reviravolta e lá vêem eles outra vez na minha direcção, desvairados, passam por mim em direcção à esquerda e gritam furiosamente "fascista" "fascista". Bom ... eu estive sempre no mesmo sítio.

Isto a propósito da disciplina nas escolas. Ainda haverá em muitos sítios indisciplina mas noutros o pêndulo já virou e virou de uma forma muito feia.

Extremados, professores que ainda têm vivas memórias de desautorização, enchem o peito como Ataturk, escolhem alvos que estigmatizam como indisciplinados, perseguem-nos em todos os detalhes, baixam-lhes as notas nos testes e depois voltam a baixá-las no fim dos períodos, exibem uma paixão assolapada por estabelecer castigos exemplares, são incapazes de reconhecer qualquer mudança positiva, incapazes de estabelecer estratégias diferenciadas para miúdos diferenciados.

Miúdos que fazem testes para 18 têm 16 nas correcções e 13 no fim do período. Outros, yes-man, que copiam por eles nos testes em que mereceriam 10 e passam a merecer 13, têm 15 nos testes e 17 no fim do período. Nas reuniões de pais estes exigem saber os nomes dos "meninos irrequietos" para julgamentos populares e os professores estão dispostos a dá-los.

Atiram para a valeta miúdos com alma que enchem de faltas disciplinares incompreensíveis, a quem nunca dão uma chance para mudar e, quando se lhes pergunta qual o pior exemplo do seu comportamento,  não sabem dizer mais do que "é irrequieto",  "falador", "não faz os exercícios", o caderno "está desorganizado", será "hiperactivo"?

Os poucos professores, às vezes os mais velhos, que percebem o que se passa, têm medo nos Conselhos de Turma e calam-se.

Pobre país e pobre geração que verá substituída a indisciplina e o desrespeito de um sistema confuso, cobarde e cheio de clichês, por um sistema sem alma, histeriforme, intolerante quanto à diferença e cheio de clichês.

Voltando ao meu Pai, de que vale numa passagem de modelos o design da passadeira, o cenário, a luz,   a música serem fantásticas se as roupas forem trapos feios e as raparigas camafeus? De que vale um bom urbanismo com uma má arquitectura, um bom argumento com actores tão maus?

Depois contacta-se um colégio estrangeiro e choca o contraste. 

Uma coisa é o desenvolvimento, outra a sua imitação.

Capitalismo Selvagem

A cultura do mundo do futebol em Portugal tem um problema principal:

Para ter sucesso muitos jogadores estão dispostos a tudo. Nomeadamente estão dispostos não apenas a violarem as regras do jogo para obter vantagem - em vez de enfrentarem com lealdade o adversário tentando superá-lo pelo mérito desportivo - não apenas isso, mas também estão dispostos a imputarem com falsidade ao adversário violações de regras que eles não cometeram, tentando manipular o árbitro contra o adversário.

Este tipo de baixeza é aceite como normal por toda a gente e quando digo toda a gente digo o público em geral e os comentadores.

Conspiração esquecida


Gérard Depardieu. Cyrano de Bergerac, 1990.
O actor francês era um candidato a um Oscar nesses idos.
Contudo foi alvo de uma inesperada conspiração para o afastar do Oscar.
O bom francês era influente na terra que o viu nascer e como tal tratado como um Senhor. Não era um DSK, é certo, mas ainda assim era um tipo de certa monta. Tipo Chevalier of the Légion d'honneur e Chevalier of the Ordre national du Mérite .

Ninguém que se algemasse, por exemplo.

O bom francês decidiu dar uma entrevista à Time em que, de forma blasé, contou que na sua puberdade precoce a rapaziada costumava sair para violar raparigas. Nada de especial em França, explicou. Citando "I don't understand why rape is seen as bad in this country. In [France], I've raped several women." O gaulês não percebeu que a questão não era ter feito disparate quando era inimputável - a questão era a falta de empatia com as vítimas, agora que se torna um gigantone.

Acontece que, já naquele tempo, nos Estados Unidos a agressão sexual era vista com pouca graça. O bom francês foi alvo das trituradoras culturas puritana e feminista americanas que se lembraram de se ofender com o tom aligeirado de tal confissão. Passaram-no a ferro por assim dizer.

Ao bom francês ocorreu na altura uma ideia: tinha sido um erro de tradução. Ele negava-se a violar raparigas porque "tinha demasiado respeito pela mulheres" para praticar tal desporto. O seu inglês era mau, tinha sido mal compreendido. Ameaçou com um processo - ou dois se fosse caso disso - quem publicasse tal erro tradutório.

Para seu azar a Time tinha ido a França, feito a entrevista em francês de lei e gravado tudo. A tradução de francês para francês parecia não deixar dúvidas.

O bom gaulês e a imprensa da terra tiveram então outra ideia: tudo não passava de uma conspiração - e duma conspiração de incorrigíveis financeiros - os ianques queriam roubar-lhe o Oscar. Quem se envolveu em tais teorias? Pesos pesados franceses como Jack Lang e Attali.

Violar raparigas nos tempos livres podia ser de gosto discutível, agora montar uma cabala para tirar um Oscar a um grande senhor... isso era um crime de antologia.

Justiça Americana versus Francesa (com um olho na portuguesa)

Uma boa parte da indignação da imprensa francesa (e da portuguesa) em relação à prisão de Strauss-Kahn tem a ver com o significado cultural de algemar uma pessoa.

Na cultura americana isso é um procedimento rotineiro de segurança. É como ser transportado num carro da polícia. Na cultura europeia é uma humilhação. Não vale a pena prolongar esse debate muito tempo. As mesmas imagens despertam sentimentos diferentes em comunidades diferentes.

Outra diferença cultural é que o debate que se ouve em França sobre o carácter fogoso do Sr. que aparentemente gostará muito de mulheres - isto a propósito de uma caso de violação - é ofensivo até em Portugal, sendo totalmente incompreensível para um americano. Hoje um conhecido comentador televisivo português tentou vender a agressão sexual do Sr. como "assédio" e afirmava, seguro, ser incompreensível que um violador pudesse ser considerado um perigoso criminoso, pudesse constituir perigo para a comunidade ou pudesse sequer fugir. Imagino o que se dirá em França.

Há contudo duas outras coisas que não podem deixar de ser observadas. 

A primeira tem a ver com o facto de nos Estados Unidos o tratamento reservado pela justiça ser muito mais igualitário do que acontece na Europa, em que quem não é ninguém é tratado de uma forma e quem é poderoso é tratado de outra. Chama-se a isso estado de direito.

O segundo tem a ver com a eficácia da justiça. Fomos expostos recentemente a dois casos de justiça penal - um envolvendo um modelo português e agora este. Em ambos a eficácia do sistema judicial Norte Americano está a léguas do que nós cá temos.

Cá o Sr. nunca teria sido activamente procurado lá porque uma mulher da limpeza, guineense, o acusava (uma escritora francesa filha de um militante socialista em 2002 não teve condições para se queixar do Sr. e tem sido desde essa data perseguida por ter sequer levantado a hipótese de fazer queixa); se o procurassem seria em câmara lenta e nunca o apanhariam dentro do avião; se o apanhassem seria sempre tratado como um VIP e rapidamente libertado; tudo o que dissesse à policia ou ao procurador não valeria nada em julgamento dando-lhe tempo para inventar uma narrativa alternativa em combinação com o seu advogado (a verdade pode dizer-se expontaneamente; para mentir é preciso treinar); o julgamento ocorreria dentro de anos e a vítima seria humilhada repetidamente como vimos no Caso Casa Pia em Portugal; autoridades e forças políticas conspirariam incansavelmente contra a justiça e talvez falsificassem provas e as introduzissem por mão amiga no processo; uma imprensa servil estaria disposta a tudo; a vítima seria alvo de tentativas de suborno e/ou ameaçada; quem defendesse a vítima seria demonizado e processado sem vergonha; os advogados das vítimas, polícias e magistrados manteriam low profile enquanto os advogados de defesa seriam estrelas televisivas diárias; inventar-se-ia uma teoria da cabala e o suposto agressor  retomaria uma carreira política fogosa.

Os branqueadores do Sr. seriam sempre muito bem tratados e nunca confrontados publicamente mesmo por quem achasse que o Sr. era um criminoso, pois "toda" a gente acha normal ser-se amigo de um putativo criminoso se ele tiver poder.

Ora tudo isto nos Estados Unidos parece bem mais difícil.

Fica-se com a impressão que cá nestas matérias não há relação entre o que se diz e o que se faz. Lá parece haver.

P.S. no título não é por engano que justiça "portuguesa" aparece em minúsculas.

A nova prostituição. Face indizível da bancarrota

"As técnicas da Associação O Ninho aperceberam-se a partir de 2009 que começavam a aparecer nas ruas de Lisboa novas mulheres". 


2009, antes do PEC; antes da crise política.


São "mulheres recorrem à prostituição para conseguir sustentar os filhos"
"As mulheres estão desesperadas. Aqui há uns anos pediam ajuda à família, mas hoje nem a família pode ajudar», sublinhou Inês Fontinha, lembrando que estas mulheres vivem entre o medo de ter como cliente um vizinho do bairro ou de serem rejeitadas por um filho que descobre o que andam a fazer."


Lido no Sol hoje.

O Islamismo radical e a pornografia

O islamismo radical tem uma aversão visceral ao Ocidente. 

É uma repulsa muito profunda que faz equivaler o Ocidente a um passaporte para o Inferno.


Perceber bem o cerne desse antagonismo nos nossos dias é um trabalho ainda por fazer. Não há outra cultura com a mesma expressão numérica que tenha essa relação conflitual tão intensa.

Muitos dos líderes do Islão tiveram contacto prolongado com Ocidente ou vivem ainda no Ocidente. Trata-se de gente que repudia não o desconhecido mas o que conhecem relativamente bem.

Julgo que há três fenómenos no Ocidente com que o Islão lida particularmente mal. Dois são culturais e um é político. O fenómeno político reside principalmente nos USA e na sua projecção de força em quase todo o lado. Os fenómenos culturais, não filosóficos mas culturais, que mais se afiguram como uma ameaça são o ateísmo (ou algumas formas de agnosticismo) e a pornografia.

Ambos perturbam o íntimo dos islamitas tal como ambos perturbam o íntimo do cristianismo. Se expuséssemos a Europa medieval e até renascentista à expressão que hoje têm o ateísmo/agnosticismo e a pornografia, a reacção seria muito mais agressiva do que aquela que alguma vez vimos da parte do Islão. A evolução do Ocidente no sentido da tolerância actual é um processo de mudanças lentas, degrau a degrau ao longo de séculos. No Islão não há essa oportunidade. A adoptar qualquer mudança o Islão sabe bem qual é o resultado final. E é esse resultado final que os fundamentalistas e mesmo muitos moderados recusam.

O facto de aparentemente ser vulgar encontrarem-se materiais pornográficos em cofres quando se atacam bunkers de líderes terroristas islâmicos, como aconteceu com Bin Laden, nada muda nesta equação. Os líderes acham-se com a preparação para enfrentar esses "demónios" sem vacilarem na sua fé mas o turbilhão interno de pulsões que a pornografia liberta e a dúvida interna que o ateísmo ou o agnosticismo lhes suscita, dá-lhes uma medida da ameaça dessas ideias ao Corão.