quinta-feira, 16 de junho de 2011

CEJ: o TESTE

A vida decidiu aplicar ao CEJ um teste. O CEJ devia agradecer pois nem sempre a situação é tão clara.
A vida pôs grande parte dos alunos que faziam um exame escrito a copiar à descarada e perguntou à direção da instituição o que fazer.

Confesso que a pergunta não era das mais fáceis, mas reconheçamos que não era das mais difíceis.

Todos os membros da Direcção do CEJ tiveram que fazer o teste e não apenas a sua actual directora (uma juiza desembargadora):

A pergunta era de escolha múltipla:

P. Como proceder se num exame escrito do CEJ se apurar sem margem para dúvidas que um número muito relevante de examinandos copiou à descarada?

A) Chumbam-se todos os alunos, quer os que copiaram quer os outros.
B) Abre-se um processo e investigam-se os 140 alunos.
C) Passam-se todos os alunos atribuíndo-lhes como nota, a média que tiveram a todas as outras disciplinas.
D) Passam-se todos os alunos com 10 valores.
E) Anula-se o exame e repete-se num curto espaço de tempo, fazendo uma prova de estrutura semelhante, reforçando as medidas anti-copianço

Não sei se houve copianço entre os membros da direção do CEJ mas todos deram a mesma resposta:

Optaram pela resposta D.

Como infelizmente a resposta certa era a resposta E, o que fazer com a Direção do CEJ?

Dê as suas ideias.

2 comentários:

  1. O CEJ, nos últimos tempos, vem definhando em ritmo acelerado. Como escola e, pior, como instituição.
    O caso do "copianço", sintomático disto mesmo, gera assim o risco de fazer com que a nuvem seja tomada por Juno: o fundamental seria discutir as razões (e os efeitos) da progressiva desvalorização do CEJ e do seu papel como instituição independente (e de excelência) formadora de magistrados. Numa palavra: as causas da sua degradação. Qualitativa e institucional. Não esquecendo, claro, que já fomos um dos exemplos de ponta na Europa no que toca ao sistema (ao modelo) de formação de magistrados.
    Isto assente, limito-me a formular um juízo sobre a sanção que foi desencantada para o lamentável episódio da fraude nos testes do CEJ. Não sem dificuldade, diga-se, porque a solução encontrada é de tal modo absurda que a racionalidade acaba, quase por inteiro, toldada.
    Quis a direcção do CEJ aplicar a todos aqueles que realizaram o teste - quer aos que patentemente copiaram, quer aos que não aparentam tê-lo feito - a mesmíssima sanção: nota de dez valores (isto é, nota mínima para aprovação)!
    A solução singulariza-se por um aspecto absolutamente determinante (e estarrecedor): não é justa para quem quer que seja. Logo, é aterradoramente injusta para todos!
    Quem copiou é absolvido com dez. Quem não copiou, ou é premiado com a mesma nota (10) - nos casos em que o teste realizado não chegaria para tanto -, ou é punido com ela (nos casos em que o teste realizado mereceria avaliação mais generosa).
    Mais: o anátema da intrujice recairá sobre todos.
    Em suma: uma solução kafkiana, com todos os requintes inerentes.
    E uma solução desnecessária. Era, por exemplo, possível anular todas as provas e ordenar a sua repetição (com novas questões, esclareça-se - e convém mesmo esclarecer, porque nenhum cuidado é pouco quando se resolvem problemas assim).
    Triste, para lá do evidente, é que tudo isto reforce o que da Justiça vem sendo dito (cada vez mais ruidosamente). Agravando, assim, evidentemente, um dramático círculo inextricável: a Justiça piora porque não pode conviver com a degradação da sua reputação. Quanto mais piora, mais desfigurada fica a sua imagem. E assim por diante.
    Nisto, também estamos a caminho do insuportável.

    HDF
    www.arruadas.blogspot.com

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  2. A resposta da Direção do CEJ diminui a ilicitude dos que copiaram pois demonstra que fazer individualmente o teste sem consultar fontes não autorizadas numa disciplina menos importante era provavelmente tido como pouco relevante.

    Se calhar muitos daqueles alunos não copiariam nas disciplinas que são o cerne do curso.

    A direção devia ser demitida em bloco imediatamente.

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